Roubo de celulares vira tema importante da disputa presidencial
Além do prejuízo financeiro causado pela perda do aparelho, as vítimas podem enfrentar invasões de contas bancárias, fraudes por Pix, exposição de informações pessoais e outros riscos digitais.
Por Fogo e Poder
Publicado em 20/10/2026 12:17
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SEGURANÇA PÚBLICA • ELEIÇÕES 2026

 

Publicado em 20 de outubro de 2026

O roubo e o furto de celulares ganharam destaque na disputa presidencial de 2026. Além do prejuízo financeiro causado pela perda do aparelho, as vítimas podem enfrentar invasões de contas bancárias, fraudes por Pix, exposição de informações pessoais e outros riscos digitais.

O tema entrou na disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que defendem medidas diferentes para enfrentar o problema. Os dados mostram, porém, que o desafio não se resume ao aumento das penas: também envolve investigação, bloqueio dos aparelhos, combate à receptação e recuperação dos bens.

IMPORTANTE

Promessas de campanha não são resultados já alcançados. É necessário distinguir as medidas que estão em vigor, as propostas dos candidatos e os efeitos que ainda precisam ser comprovados.

Brasil registrou mais de 830 mil celulares roubados ou furtados em 2025

DADOS DO ANUÁRIO BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA

830.890

celulares roubados ou furtados no Brasil em 2025

Média aproximada de 95 aparelhos subtraídos por hora.

Os dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que o país registrou 830.890 aparelhos roubados ou furtados em 2025. Embora o número continue elevado, o total de ocorrências de roubo e furto de celulares caiu 7,7% em relação a 2024.

O resultado reúne modalidades diferentes. Os roubos, que envolvem violência ou ameaça, recuaram 18,6%, enquanto os furtos apresentaram alta de 0,9%. A distinção é importante porque os crimes têm características e circunstâncias diferentes.

O prejuízo não termina com a perda do aparelho

O celular pode permitir acesso a aplicativos financeiros, mensagens, documentos, redes sociais e contas pessoais. Em alguns casos, criminosos usam o dispositivo para tentar realizar transferências, contratar serviços ou aplicar golpes em contatos da vítima.

O que Lula defende

O governo Lula adotou medidas para aumentar a punição de crimes envolvendo aparelhos eletrônicos e fraudes digitais. Uma lei sancionada em maio de 2026 elevou penas para determinadas modalidades de furto e fraude eletrônica. Nos casos de furto mediante fraude praticado com dispositivo eletrônico, por exemplo, a pena passou a ser de quatro a dez anos de reclusão.

O governo também mantém o Programa Nacional Celular Seguro, coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. A ferramenta permite comunicar roubo, furto ou extravio, solicitar bloqueios e consultar gratuitamente se um aparelho possui restrição antes da compra.

Na campanha, Lula tem defendido o combate tanto ao autor do crime quanto aos estabelecimentos que compram e revendem celulares de origem criminosa. A estratégia busca enfraquecer o mercado que pode incentivar novos roubos e furtos.

O que Flávio Bolsonaro propõe

Flávio Bolsonaro defende o endurecimento das punições para crimes envolvendo celulares. Entre as propostas associadas ao senador está a fixação de pena mínima de oito anos para esse tipo de crime.

O senador já apresentou propostas legislativas para aumentar as penas relacionadas ao furto e ao roubo de aparelhos. A tramitação de projetos, entretanto, não significa que todas as medidas tenham sido aprovadas ou estejam em vigor. A situação de cada proposta deve ser verificada no Congresso Nacional.

Diferença entre proposta e lei

Uma promessa eleitoral só se transforma em regra jurídica quando segue o procedimento legal aplicável. No caso de projetos de lei, isso pode exigir votação no Congresso e sanção presidencial, conforme a matéria e o processo legislativo.

Penas mais altas resolvem o problema?

O endurecimento das penas é uma das ferramentas discutidas no combate ao crime, mas não é a única. Para avaliar a eficácia das políticas de segurança pública, também é necessário observar a capacidade de identificar os autores, investigar as quadrilhas e interromper os canais de comercialização dos aparelhos roubados.

Entre os pontos que merecem atenção estão:

  • Investigação: identificar e responsabilizar os autores dos roubos, furtos e fraudes financeiras.
  • Receptação: combater a compra e a revenda de aparelhos de origem criminosa.
  • Bloqueio dos dispositivos: dificultar a reutilização e a comercialização de celulares subtraídos.
  • Recuperação dos aparelhos: ampliar a capacidade de devolver os dispositivos aos proprietários.
  • Proteção financeira: reduzir o risco de acesso indevido a bancos, carteiras digitais e serviços de pagamento.

O que o consumidor pode fazer

Além das medidas do poder público, algumas precauções ajudam a reduzir os prejuízos em caso de roubo ou furto:

  • Ativar o bloqueio de tela com senha forte ou autenticação biométrica.
  • Manter ativadas as ferramentas de localização e bloqueio remoto do aparelho.
  • Ativar a verificação em duas etapas nas contas importantes.
  • Guardar o número IMEI e a nota fiscal do celular em local seguro.
  • Em caso de ocorrência, registrar o boletim de ocorrência e solicitar o bloqueio da linha, do aparelho e das contas financeiras pelos canais oficiais.
  • Evitar comprar aparelhos sem procedência comprovada e consultar a situação do IMEI antes da compra.

O Programa Nacional Celular Seguro oferece orientações e serviços oficiais no portal do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O acesso pode ser feito pelo endereço celularseguro.mj.gov.br.

Segurança pública na reta final da eleição

Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a segurança pública se tornou um dos assuntos relevantes para a escolha presidencial. Os candidatos procuram apresentar respostas para um problema que afeta diretamente o patrimônio e a sensação de segurança da população.

Para o eleitor, a comparação deve ir além de slogans e promessas de penas mais duras. É importante verificar quais medidas já existem, quais dependem de aprovação legislativa e quais resultados podem ser demonstrados por dados oficiais.

EM RESUMO

O Brasil registrou 830.890 celulares roubados ou furtados em 2025, apesar da queda nas ocorrências totais em relação ao ano anterior. Lula destaca mudanças legais e ferramentas de bloqueio e recuperação, enquanto Flávio Bolsonaro defende punições mais rigorosas. O desafio é combinar responsabilização criminal, investigação eficiente e combate ao mercado de aparelhos roubados.

Fontes consultadas

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