Novos documentos revelam bastidores de operações bilionárias entre Master e BRB
Mensagens apreendidas pela Polícia Federal mostram pressão para montagem e transferência de carteiras de crédito; investigação aponta operações estimadas em mais de R$ 12 bilhões
Por Fogo e Poder
Publicado em 23/09/2026 13:13
Novidades

23 de setembro de 2026

Novos documentos analisados pela Polícia Federal ampliaram nesta quarta-feira o conhecimento sobre os bastidores das operações realizadas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).

Entre os materiais estão mensagens extraídas de celulares apreendidos pela investigação e documentos internos que ajudam a reconstruir como determinadas carteiras de crédito foram estruturadas, documentadas e posteriormente negociadas com o BRB.

Um dos aparelhos analisados pertencia a Allan da Silva Machado, procurador e funcionário ligado às operações do Banco Master.

Segundo os documentos divulgados no âmbito da investigação, as mensagens mostram Machado atuando na comunicação entre ordens de integrantes da estrutura do banco e a execução operacional de determinadas cessões de crédito.

O material passou a ser utilizado pela Polícia Federal para reconstruir a cronologia de operações investigadas na Operação Compliance Zero. :contentReference[oaicite:1]{index=1}

Mensagens mostram pressão para acelerar operações

As conversas analisadas pela Polícia Federal registram cobranças relacionadas à produção e ao encaminhamento de determinadas carteiras de crédito.

Também aparecem referências à preparação de documentos, dados cadastrais e Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), instrumentos utilizados nas operações financeiras.

Segundo a investigação, alguns arquivos apresentavam dados duplicados ou inconsistências cadastrais.

Os investigadores analisam se essas inconsistências foram resultado de problemas operacionais ou se fizeram parte de uma estrutura deliberada para produzir documentos destinados a sustentar operações de crédito.

Importante:
A existência de mensagens, documentos ou inconsistências identificadas pela PF não estabelece, isoladamente, a responsabilidade criminal das pessoas citadas. A investigação ainda precisa determinar quem participou de cada operação, quais eram seus conhecimentos e qual foi a finalidade de cada procedimento.

A chamada “fábrica de documentos”

Outro elemento analisado pelos investigadores foi encontrado em um HD corporativo apreendido durante a Operação Compliance Zero.

A Polícia Federal encontrou uma apresentação que descrevia um processo de produção em escala de documentos financeiros relacionados às carteiras que posteriormente eram utilizadas nas operações.

Segundo o material investigativo, funcionários do Master utilizavam dados reais de clientes na produção de documentos relacionados aos créditos que seriam apresentados como lastro das operações.

A investigação busca determinar se esses documentos correspondiam efetivamente a créditos existentes e passíveis de negociação.

O ponto é relevante porque a própria investigação da PF já havia apontado fortes indícios de que parte das Cédulas de Crédito Bancário negociadas com o BRB não correspondia a créditos que pudessem ser confirmados. :contentReference[oaicite:2]{index=2}

O papel da Tirreno

As investigações também envolvem a empresa Tirreno Consultoria, relacionada à estruturação de determinadas carteiras de crédito.

Segundo documentos analisados pela Polícia Federal e pelo Banco Central, créditos atribuídos à Tirreno foram posteriormente incorporados às operações envolvendo o Banco Master e o BRB.

Uma das principais frentes investigadas envolve aproximadamente R$ 12,2 bilhões em créditos negociados com o BRB.

A PF apontou que os créditos associados a essa estrutura apresentavam fortes indícios de inexistência. Segundo documento citado pela CNN Brasil, nenhum dos créditos examinados pelo Banco Central pôde ser confirmado. :contentReference[oaicite:3]{index=3}

Em outro levantamento divulgado anteriormente, a Polícia Federal apontou que o BRB transferiu cerca de R$ 17 bilhões ao Banco Master no conjunto das operações de compra de carteiras de crédito. Desse montante, aproximadamente R$ 12,2 bilhões estariam relacionados a títulos considerados falsos ou sem valor pela investigação. :contentReference[oaicite:4]{index=4}

Perícia encontrou operações sem movimentação financeira correspondente

Outro ponto investigado envolve instrumentos de cessão firmados entre o Master e a Tirreno.

Segundo a perícia citada nos documentos da investigação, 28 instrumentos de cessão firmados entre dezembro de 2024 e maio de 2025 não foram acompanhados por movimentação financeira efetiva correspondente nas contas de livre movimentação da empresa.

Para os investigadores, essa ausência de movimentação é um dos elementos que precisam ser esclarecidos para compreender como os créditos foram estruturados e posteriormente utilizados nas operações.

A existência de contratos sem movimentação financeira correspondente, entretanto, não permite isoladamente concluir qual era a intenção de cada participante ou qual seria a responsabilidade individual pelos negócios.

Operações chegaram à casa dos bilhões

A dimensão financeira é um dos aspectos que chama atenção na investigação.

As operações entre Master e BRB analisadas pela Polícia Federal movimentaram valores bilionários.

Em uma das principais frentes, estão aproximadamente R$ 12,2 bilhões em créditos adquiridos pelo BRB e relacionados à estrutura investigada pela PF. :contentReference[oaicite:5]{index=5}

Em um universo mais amplo de operações examinadas, documentos da investigação apontam valores ainda maiores nas transações entre as duas instituições.

Por isso, números diferentes aparecem nos documentos públicos: eles podem corresponder a conjuntos distintos de operações, e não necessariamente ao mesmo grupo de contratos.

Entenda os valores

R$ 12,2 bilhões: principal conjunto de créditos relacionado às operações investigadas pela PF envolvendo carteiras associadas à estrutura da Tirreno.

Cerca de R$ 17 bilhões: valor apontado pela PF em um levantamento mais amplo sobre transferências realizadas pelo BRB ao Master na aquisição de carteiras.

Valores superiores: outros documentos podem considerar diferentes conjuntos de operações realizadas entre as instituições.

O que a Polícia Federal está tentando descobrir?

A análise dos celulares, contratos, documentos internos e registros financeiros busca reconstruir toda a cadeia das operações.

Entre as principais perguntas da investigação estão:

  • Quais créditos efetivamente existiam;
  • Quais documentos correspondiam a operações reais;
  • Se havia lastro suficiente para os ativos vendidos;
  • Quem autorizou cada operação;
  • Quais informações foram apresentadas ao BRB;
  • Quem participou da produção e validação dos documentos;
  • Se as inconsistências eram conhecidas pelos envolvidos;
  • E se houve intenção deliberada de apresentar ativos de maneira irregular.

A hipótese de fraude ainda está sob investigação

A Polícia Federal trabalha com a hipótese de que parte das operações tenha envolvido irregularidades na constituição ou apresentação dos créditos.

Documentos anteriores da investigação já apontaram fortes indícios de que determinadas Cédulas de Crédito Bancário vendidas pelo Master ao BRB não existiam. :contentReference[oaicite:6]{index=6}

O novo material acrescenta informações sobre como algumas dessas operações teriam sido estruturadas internamente.

Mas existe uma diferença fundamental entre uma hipótese investigativa e uma conclusão judicial.

Hipótese investigativa ≠ condenação

A Polícia Federal ainda precisa concluir a apuração, individualizar responsabilidades e apresentar os elementos às autoridades competentes.

As pessoas citadas nas investigações continuam tendo direito à defesa e à contestação dos elementos reunidos pela investigação.

Como as novas mensagens ajudam a investigação?

O conteúdo encontrado no celular de Allan da Silva Machado é importante porque permite aos investigadores acompanhar a comunicação interna relacionada a determinadas operações.

As mensagens podem ajudar a estabelecer uma sequência de acontecimentos: uma ordem é transmitida, uma carteira é preparada, documentos são produzidos e a operação é posteriormente encaminhada para negociação.

Esse tipo de registro pode ser cruzado com contratos, documentos bancários e dados financeiros para verificar se aquilo que aparece nas mensagens corresponde ao que efetivamente aconteceu.

É justamente esse cruzamento que pode permitir à PF diferenciar falhas administrativas de operações deliberadamente estruturadas de maneira irregular.

Fato x investigação

FATO
A Polícia Federal apreendeu celulares e documentos durante a investigação da Operação Compliance Zero.

FATO
Mensagens encontradas no celular de Allan da Silva Machado estão sendo utilizadas para reconstruir operações de cessão de crédito entre Master e BRB.

FATO
Documentos internos relacionados à produção de instrumentos financeiros também foram analisados pela PF.

FATO
As investigações identificaram operações envolvendo bilhões de reais entre o Banco Master e o BRB.

FATO
A estrutura envolvendo a Tirreno está entre os pontos investigados.

INVESTIGAÇÃO
A PF apura se determinados créditos foram artificialmente constituídos ou apresentados como lastro de operações.

AINDA NÃO CONCLUÍDO
A responsabilidade individual de cada pessoa envolvida e a caracterização jurídica definitiva das operações.

O que observar daqui para frente?

  • Novos documentos que possam ser incorporados ao inquérito;
  • O cruzamento entre mensagens, contratos e movimentações financeiras;
  • A identificação dos responsáveis pela criação e aprovação das carteiras;
  • Novas conclusões periciais sobre os créditos negociados;
  • Eventuais depoimentos dos envolvidos;
  • As decisões judiciais sobre o andamento da Operação Compliance Zero.
EM RESUMO

Novos documentos analisados pela Polícia Federal ampliaram o entendimento sobre a estrutura das operações de crédito realizadas entre o Banco Master e o BRB.

Mensagens encontradas no celular de Allan da Silva Machado e documentos internos passaram a ser utilizados para reconstruir a produção de carteiras, a elaboração de documentos e a posterior negociação dos créditos.

A investigação apura se parte desses ativos foi artificialmente constituída ou apresentada de maneira irregular. Os elementos reunidos ainda precisam ser analisados em conjunto, e a responsabilidade individual dos envolvidos ainda não está definitivamente estabelecida.

Fontes: Polícia Federal; documentos da Operação Compliance Zero divulgados no âmbito do STF; CNN Brasil; Folha de S.Paulo; Metrópoles. Informações atualizadas em 23 de setembro de 2026.

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