Mendonça x Moraes: troca de acusações leva disputa no STF a novo patamar
Em manifestação enviada ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, Mendonça contestou as acusações feitas anteriormente por Moraes contra sua atuação e pediu o arquivamento da representação.
Por Fogo e Poder
Publicado em 22/09/2026 23:17
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22 de setembro de 2026

A disputa entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, envolvendo a condução das investigações relacionadas ao Banco Master e ao INSS, entrou nesta semana em uma nova fase.

Em manifestação enviada ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, Mendonça contestou as acusações feitas anteriormente por Moraes contra sua atuação e pediu o arquivamento da representação.

Ao mesmo tempo, Mendonça solicitou que seja avaliada a abertura de uma investigação sobre a conduta de Moraes, citando possíveis crimes como abuso de autoridade e denunciação caluniosa.

A situação passou, portanto, de uma divergência sobre procedimentos de investigação para uma troca formal de acusações entre dois ministros da Suprema Corte.

Como começou o confronto

A origem imediata da disputa está nas investigações relacionadas ao Banco Master.

André Mendonça é relator de procedimentos relacionados ao caso e recebeu material produzido pela Polícia Federal a partir de dados extraídos de dispositivos apreendidos com Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco.

Entre as informações analisadas pela Polícia Federal estavam referências a Alexandre de Moraes.

O material acabou chegando ao STF e passou a integrar uma disputa sobre a forma como as informações foram obtidas, analisadas e utilizadas no processo.

O próprio STF já informou que o material contém informações extraídas do celular de Vorcaro e supostos diálogos relacionados a Moraes.

O que Moraes acusa Mendonça de ter feito?

Em manifestação anterior enviada a Edson Fachin, Alexandre de Moraes pediu que a atuação de André Mendonça fosse investigada.

Moraes apontou possíveis práticas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade relacionadas à condução dos casos Banco Master e INSS.

Entre os principais questionamentos está a alegação de que Mendonça teria ultrapassado os limites da supervisão judicial e assumido funções que, na avaliação de Moraes, deveriam permanecer sob responsabilidade dos investigadores.

Moraes também questionou decisões relacionadas ao acesso ao material bruto da investigação, ao levantamento de sigilos e à forma de tratamento dos dados obtidos pela Polícia Federal.

Outro ponto importante é a chamada cadeia de custódia.

Em termos simples, trata-se do conjunto de procedimentos utilizado para registrar como uma prova foi obtida, armazenada, analisada e utilizada, com o objetivo de preservar sua integridade.

Importante:
As acusações apresentadas por Moraes contra Mendonça são alegações que ainda dependem de análise. Elas não representam, por si só, uma conclusão judicial de que Mendonça tenha cometido os crimes mencionados.

Mendonça contesta a base das acusações

Na manifestação apresentada agora, Mendonça concentra parte de sua defesa nos relatórios de inteligência da Polícia Federal utilizados para fundamentar as acusações.

O ministro afirma que esses documentos não possuem valor probatório e questiona a utilização de relatórios que, segundo sua manifestação, reuniriam relatos, impressões e avaliações produzidas durante as investigações.

A CNN Brasil também informou que os documentos mencionados na disputa não possuem o mesmo grau de oficialidade de uma prova pericial ou de um relatório conclusivo de investigação. :contentReference[oaicite:1]{index=1}

Com base nisso, Mendonça questiona se documentos dessa natureza poderiam sustentar acusações contra um ministro do Supremo.

Mendonça afirma ter sido alvo de monitoramento irregular

A resposta do ministro vai além da contestação das acusações.

Mendonça sustenta que teria sido alvo de monitoramento irregular por integrantes da Polícia Federal e afirma que determinadas informações reunidas sobre sua atuação poderiam representar desvio de finalidade da atividade policial.

Ele também questiona a origem dos relatórios e pede que sejam investigados os responsáveis por sua produção.

O que sabemos

Fato: Mendonça apresentou essa acusação e pediu investigação.

Ainda não estabelecido: se o monitoramento descrito pelo ministro ocorreu de forma ilegal ou se houve efetivamente desvio de finalidade.

O Inquérito das Fake News entra na disputa

Outro ponto relevante da manifestação envolve o Inquérito 4.781, conhecido como Inquérito das Fake News.

A representação apresentada por Moraes contra Mendonça tramita no contexto desse procedimento.

Mendonça questiona a utilização do inquérito para analisar sua atuação e argumenta que essa utilização extrapolaria o objeto original da investigação.

O ministro também solicitou acesso integral ao inquérito para verificar a existência de outros elementos relacionados ao seu nome ou à sua atuação.

Esse pedido amplia a discussão para além do Banco Master e envolve também os limites e a utilização do próprio Inquérito 4.781.

A disputa sobre os documentos sigilosos

Existe ainda uma divergência sobre documentos que tiveram o sigilo retirado durante a investigação.

Moraes afirmou que o levantamento de sigilo determinado por Mendonça teria sido incompleto e apontou que cerca de 180 documentos continuariam indisponíveis.

Mendonça contesta essa interpretação.

Segundo sua manifestação, os documentos que poderiam ser tornados públicos foram disponibilizados. O ministro também argumenta que a diferença entre a quantidade de documentos registrada no sistema eletrônico do STF e aquilo que foi efetivamente divulgado não significa necessariamente ocultação de informações.

Parte dos registros poderia corresponder a comunicações processuais internas ou documentos que ainda precisariam permanecer protegidos para preservar diligências, investigações ou dados pessoais.

Duas interpretações

Moraes: o levantamento de sigilo teria ocorrido de maneira incompleta.

Mendonça: a comparação entre os documentos não demonstraria ocultação, porque parte do material poderia possuir natureza processual interna ou proteção legal.

Até o momento, essa divergência não resultou em uma conclusão definitiva sobre o mérito das acusações.

Mendonça pede investigação sobre Moraes

É neste ponto que a disputa chega ao estágio atual.

Em sua manifestação, Mendonça não se limitou a pedir o arquivamento das acusações contra ele.

O ministro pediu que Edson Fachin avalie a necessidade de investigar a própria atuação de Alexandre de Moraes.

Entre as hipóteses mencionadas estão abuso de autoridade e denunciação caluniosa.

A argumentação apresentada por Mendonça é de que acusações graves teriam sido construídas utilizando documentos preliminares que, segundo ele, não teriam valor probatório suficiente.

Isso precisa ser diferenciado:
O pedido de investigação apresentado por Mendonça não significa que Moraes tenha sido considerado autor desses crimes. Trata-se de uma solicitação de apuração cuja admissibilidade e eventual prosseguimento ainda dependem de análise.

Moraes também apresenta sua defesa

Alexandre de Moraes já havia apresentado manifestação contra a investigação de sua conduta.

O ministro sustentou que a atuação de Mendonça teria ultrapassado os limites da supervisão judicial e criticou a forma como o material envolvendo seu nome foi produzido e encaminhado.

Moraes classificou o relatório questionado como ilegal e afirmou que houve tentativa de responsabilizá-lo com base em mensagens atribuídas a terceiros encontradas em material apreendido com Vorcaro. :contentReference[oaicite:2]{index=2}

Ele também afirmou que não atuou em causas do Banco Master ou de Daniel Vorcaro, embora sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, tenha mantido relação profissional com a instituição.

Essas afirmações fazem parte da defesa apresentada pelo próprio ministro e estão inseridas no conjunto de argumentos que ainda são objeto de análise.

Fachin ocupa posição central

No centro da disputa está o presidente do STF, Edson Fachin.

Foi a Fachin que Moraes encaminhou inicialmente suas acusações contra Mendonça.

Também foi a Fachin que Mendonça enviou sua resposta e o pedido para que a conduta de Moraes seja investigada.

Fachin já havia centralizado procedimentos relacionados ao caso e determinado providências para ampliar o acesso aos autos. O ministro também passou a concentrar a tramitação de questões relacionadas ao Banco Master e ao INSS. :contentReference[oaicite:3]{index=3}

Existe ainda uma discussão pendente sobre a tramitação da Petição 16.662, relacionada ao relatório da Polícia Federal que envolve Moraes.

A análise dessa questão havia sido suspensa após pedido de vista do ministro Flávio Dino.

O que pode acontecer agora?

A partir daqui, existem diferentes possibilidades processuais.

Fachin terá de analisar os pedidos apresentados pelos dois ministros e definir o encaminhamento das representações.

O STF também poderá retomar discussões relacionadas à tramitação das petições do caso Banco Master.

Outro ponto importante será avaliar a validade, a origem e a utilização dos relatórios de inteligência questionados por Mendonça.

Também poderá ser analisado se existem elementos suficientes para justificar uma investigação formal sobre a conduta de qualquer um dos ministros.

Nenhum desses resultados está definido neste momento.

Fato x interpretação

FATO
Moraes pediu que a atuação de Mendonça fosse investigada.

FATO
Mendonça contestou as acusações e pediu o arquivamento da representação.

FATO
Mendonça pediu que a conduta de Moraes também seja investigada.

FATO
Relatórios de inteligência da Polícia Federal estão no centro da controvérsia.

FATO
Existem divergências sobre acesso a documentos, levantamento de sigilo e tratamento das informações.

AINDA NÃO ESTÁ ESTABELECIDO
Que André Mendonça tenha cometido abuso de autoridade, improbidade ou crime de responsabilidade.

TAMBÉM NÃO ESTÁ ESTABELECIDO
Que Alexandre de Moraes tenha cometido abuso de autoridade, denunciação caluniosa ou qualquer outro crime mencionado na representação.

Uma disputa que agora será decidida no campo processual

A divergência entre os dois ministros deixou de envolver apenas interpretações diferentes sobre a condução do caso Banco Master.

Agora existem pedidos formais de apuração envolvendo a atuação dos próprios integrantes do Supremo.

Moraes sustenta que Mendonça ultrapassou os limites de sua função na condução das investigações.

Mendonça sustenta que foram utilizadas informações preliminares e sem valor probatório suficiente para fundamentar acusações contra ele.

No centro das duas versões está Edson Fachin, responsável por analisar o encaminhamento das manifestações.

Acima das acusações individuais, permanece uma questão essencial para o andamento do caso: quais documentos possuem validade jurídica, como foram produzidos, como podem ser utilizados e se a atuação de cada ministro permaneceu dentro dos limites de suas funções.

É essa análise processual que deverá determinar os próximos capítulos da disputa entre André Mendonça e Alexandre de Moraes.

EM RESUMO

A disputa entre Mendonça e Moraes ganhou uma nova etapa nesta semana.

Moraes acusa Mendonça de irregularidades na condução das investigações relacionadas ao Banco Master e ao INSS. Mendonça rejeita as acusações, questiona a utilização de relatórios da Polícia Federal e pede que a conduta de Moraes também seja apurada.

Até o momento, trata-se de acusações e pedidos de investigação. O mérito das alegações ainda precisa ser analisado pelas instâncias competentes.

Fontes: Supremo Tribunal Federal; Agência Brasil; CNN Brasil. Informações atualizadas em 22 de setembro de 2026.

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