TSE inicia julgamento sobre posts de Nossa Senhora Aparecida; Mendonça vota pela manutenção das remoções
Relator foi o primeiro ministro a votar e defendeu a manutenção das decisões que determinaram a retirada de publicações associando Flávio Bolsonaro a uma suposta proposta envolvendo o título de Padroeira do Brasil.
Por Fogo e Poder
Publicado em 30/09/2026 13:19
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30 de setembro de 2026

 

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) iniciou nesta quarta-feira (30) o julgamento que analisa a decisão do ministro André Mendonça sobre publicações envolvendo o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida.

Mendonça, relator do caso, foi o primeiro a votar e defendeu a manutenção das ordens de remoção. Com isso, o julgamento começou com placar de 1 a 0 pela manutenção da medida. Os demais ministros ainda precisam apresentar seus votos.

Importante:
O julgamento ocorre em plenário virtual e ainda não terminou. Portanto, o placar de 1 a 0 representa apenas o voto do relator e pode ser alterado pelos demais ministros.

Como começou a disputa

Em 25 de setembro, André Mendonça havia determinado a retirada de publicações que associavam Flávio Bolsonaro ou integrantes de sua família à suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

Uma das publicações atingidas era de Antonio Tabet, que posteriormente recorreu ao Supremo Tribunal Federal.

O caso chegou ao ministro Flávio Dino, que em 27 de setembro suspendeu parcialmente a decisão do TSE e determinou o restabelecimento de publicações. Na decisão, Dino citou a liberdade de expressão e a liberdade religiosa e fez referência à ADPF 130.

Dois dias depois, Luiz Fux suspendeu os efeitos da decisão de Dino e restabeleceu provisoriamente a ordem da Justiça Eleitoral, determinando novamente a retirada dos conteúdos abrangidos pela decisão.

A sequência das decisões

25 de setembro — André Mendonça: determinou a remoção dos conteúdos.

27 de setembro — Flávio Dino: suspendeu parcialmente a ordem do TSE e determinou o restabelecimento das publicações.

28 de setembro — Luiz Fux: suspendeu a decisão de Dino e restabeleceu provisoriamente a ordem de remoção.

30 de setembro — TSE: começou a analisar colegiadamente a decisão original de Mendonça.

Nem todo conteúdo sobre o assunto foi considerado irregular

A decisão de Mendonça não determina a retirada automática de qualquer publicação que mencione Nossa Senhora Aparecida ou o debate político relacionado ao tema.

Em uma decisão anterior, o ministro permitiu a manutenção de uma publicação da deputada Erika Hilton.

Segundo a análise apresentada no caso, a postagem mencionava um projeto de lei apresentado em 2007 pelo então deputado Victório Galli, mas deixava claro que a proposta era antiga e já estava arquivada.

O entendimento mostra que a controvérsia está concentrada nas publicações que atribuem a Flávio Bolsonaro ou à sua família, como fato, uma articulação para retirar o título de Padroeira do Brasil.

O argumento de Mendonça

Ao votar nesta quarta-feira, Mendonça defendeu a manutenção das ordens de remoção e afirmou que a medida busca combater conteúdos considerados falsos, sem configurar censura prévia.

Segundo a decisão divulgada sobre o julgamento, a determinação não impede novas publicações nem suspende perfis inteiros. A remoção se dirige aos conteúdos que reproduzam a informação considerada falsa.

O ministro foi o único a votar até o momento da publicação das primeiras informações sobre a sessão. O plenário virtual permanece aberto para os demais votos.

A disputa entre TSE e STF

O caso ganhou dimensão institucional depois que decisões individuais de ministros do TSE e do STF passaram a produzir efeitos diferentes sobre as mesmas publicações.

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, manifestou preocupação com a sobreposição de decisões entre as duas Cortes.

Ao mesmo tempo, tanto Dino quanto Fux encaminharam suas decisões para análise do plenário do STF.

Com o julgamento iniciado agora no TSE, existem dois debates paralelos: um sobre a permanência ou retirada das publicações e outro sobre os limites da atuação de cada tribunal em decisões relacionadas ao processo eleitoral.

O ponto jurídico central:
O caso ultrapassou a discussão sobre uma publicação específica e passou a envolver questões relacionadas à liberdade de expressão, combate à desinformação eleitoral, competência da Justiça Eleitoral e atuação do STF sobre decisões do TSE.

Fato x interpretação

FATO
André Mendonça determinou a remoção de publicações relacionadas à alegação sobre Nossa Senhora Aparecida.

FATO
Flávio Dino suspendeu parcialmente essa determinação e determinou o restabelecimento dos conteúdos.

FATO
Luiz Fux suspendeu a decisão de Dino e restabeleceu provisoriamente a ordem de remoção.

FATO
O TSE iniciou nesta quarta-feira o julgamento colegiado da decisão de Mendonça, e o relator votou pela manutenção das remoções.

AINDA EM DISCUSSÃO
Os demais ministros do TSE ainda precisam votar, e a controvérsia sobre os limites da atuação de TSE e STF permanece pendente de análise colegiada.

O que acontece agora?

Os demais integrantes do TSE precisam apresentar seus votos no plenário virtual. A sessão permanece aberta até o fim do prazo estabelecido para a votação.

Como o tribunal possui sete ministros titulares, o resultado ainda pode mudar conforme os demais votos sejam registrados.

Paralelamente, as decisões de Dino e Fux continuam relacionadas à análise do plenário do STF.

O que observar daqui para frente?

  • Os votos dos demais ministros do TSE;
  • O resultado final do julgamento sobre as remoções;
  • A análise do caso pelo plenário do STF;
  • Eventuais novas decisões sobre as publicações durante a campanha;
  • O entendimento das Cortes sobre os limites das decisões envolvendo conteúdo eleitoral nas plataformas digitais.
EM RESUMO

O TSE começou nesta quarta-feira a analisar a decisão que determinou a retirada de publicações associando Flávio Bolsonaro a uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

O relator, André Mendonça, votou pela manutenção das remoções, abrindo o julgamento com placar de 1 a 0.

Os demais ministros ainda precisam votar. Enquanto isso, o STF também deverá analisar as decisões de Flávio Dino e Luiz Fux, mantendo aberta a discussão sobre liberdade de expressão, desinformação eleitoral e os limites de atuação entre as duas Cortes.

Fontes: Tribunal Superior Eleitoral; Supremo Tribunal Federal; Agência Brasil; CNN Brasil; SBT News. Informações atualizadas em 30 de setembro de 2026.

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